O que aconteceu com Afeganistão Retirada dos EUA em 2021?
A retirada das tropas dos EUA do Afeganistão em 2021 marcou o fim de uma presença militar de duas décadas, levando ao rápido colapso do governo afegão reconhecido internacionalmente e à rápida tomada de controle pelo Talibã. Desde então, o Afeganistão mergulhou em uma grave crise humanitária e econômica, caracterizada por pobreza generalizada, insegurança alimentar aguda e uma regressão drástica dos direitos humanos, especialmente para mulheres e meninas, com a situação permanecendo terrível no início de 2026. O país também enfrenta ameaças contínuas à segurança interna de grupos como o ISIS-K e o aumento das tensões transfronteiriças com o Paquistão.
Resposta rápida
A retirada dos EUA do Afeganistão em agosto de 2021 encerrou a guerra mais longa dos Estados Unidos, mas imediatamente levou o Talibã a retomar o controle do país. Em março de 2026, o Afeganistão está lutando contra uma das piores crises humanitárias do mundo, com milhões de pessoas enfrentando insegurança alimentar aguda e uma economia em colapso. O regime Talibã tem sistematicamente corroído os direitos humanos, especialmente de mulheres e meninas, por meio de decretos restritivos e um novo código penal. O país também enfrenta ameaças contínuas do ISIS-K e, recentemente, passou por confrontos significativos na fronteira com o Paquistão.
📊Fatos-chave
📅Cronologia completa14 eventos
Assinado acordo entre EUA e Talibã em Doha
O governo Trump assina um acordo de paz condicional com o Talibã em Doha, no Qatar, concordando em retirar todas as forças dos EUA até 1º de maio de 2021, em troca de garantias antiterrorismo do Talibã e de um compromisso com conversações intra-afegãs.
Biden anuncia retirada total até 11 de setembro
O presidente Joe Biden anuncia sua intenção de retirar todas as tropas regulares dos EUA do Afeganistão até 11 de setembro de 2021, prorrogando o prazo anterior de 1º de maio.
Militares dos EUA deixam o campo de pouso de Bagram
O exército dos EUA confirma sua saída do aeródromo de Bagram, sua maior base no Afeganistão, sinalizando o fim efetivo da guerra mais longa dos Estados Unidos.
Talibã captura Cabul
O Talibã avança rapidamente para Cabul, enfrentando pouca resistência, e assume o controle do palácio presidencial depois que o presidente Ashraf Ghani foge do país.
Atentado a bomba no aeroporto de Cabul
Um atentado suicida fora do Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, reivindicado pelo ISIS-K, mata quase 200 pessoas, incluindo 13 membros do serviço militar dos EUA, em meio a esforços de evacuação.
EUA concluem a retirada
Os Estados Unidos concluem oficialmente sua retirada militar do Afeganistão, encerrando sua presença de 20 anos no país.
O Talibã proíbe o acesso das mulheres às universidades
O Talibã emite um decreto proibindo que estudantes do sexo feminino frequentem universidades públicas e privadas em todo o Afeganistão, restringindo ainda mais os direitos das mulheres à educação.
Terremotos devastadores na província de Herat
Uma série de terremotos fortes, incluindo um terremoto de magnitude 6,3, atinge a província de Herat, causando destruição generalizada, milhares de mortes e agravando a crise humanitária.
Banco Mundial relata crescimento econômico frágil
A Atualização do Desenvolvimento do Afeganistão do Banco Mundial relata um crescimento modesto do PIB de 2,7% em 2023, mas adverte que a recuperação continua frágil, com ventos contrários significativos e pobreza generalizada.
Talibã impede que mulheres afegãs entrem nas instalações da ONU
As autoridades de fato começam a impedir que as mulheres afegãs, incluindo funcionários da ONU, contratados e visitantes, entrem nas instalações das Nações Unidas em todo o país.
ONU pede US$ 1,71 bilhão em ajuda para 2026
As agências da ONU e os parceiros humanitários lançam um apelo de US$ 1,71 bilhão para ajudar cerca de 18 milhões de pessoas no Afeganistão em 2026, destacando a grave crise humanitária em curso no país.
Implementação do novo código penal do Talibã
O código penal recém-promulgado pelo Talibã, Decreto nº 12, é compartilhado com os tribunais para implementação, removendo formalmente a igualdade legal entre homens e mulheres e restringindo ainda mais os direitos das mulheres e o acesso à justiça.
Paquistão declara "guerra aberta" em meio à escalada dos confrontos na fronteira
O Paquistão realiza ataques aéreos nas principais cidades afegãs, incluindo Cabul e Kandahar, com seu ministro da Defesa declarando "guerra aberta" após ataques transfronteiriços retaliatórios das forças afegãs, causando dezenas de vítimas.
Confrontos contínuos na fronteira e mortes de civis
As forças afegãs relatam ter disparado contra aeronaves paquistanesas sobre Cabul, e um porta-voz do governo afegão afirma que 52 civis, em sua maioria mulheres e crianças, foram mortos em recentes confrontos na fronteira com o Paquistão em várias províncias.
Seguir esta história
Receba um email quando esta linha do tempo for atualizada.
🔍Análise aprofundada
A retirada dos Estados Unidos do Afeganistão em 2021 culminou em um processo iniciado pelo Acordo de Doha de 2020 do governo Trump com o Talibã, que estipulava a retirada total das forças da OTAN em troca de compromissos de combate ao terrorismo. O presidente Joe Biden herdou esse acordo e, apesar de algumas considerações iniciais, acabou se comprometendo a concluir a retirada, mudando o prazo de maio para 31 de agosto de 2021. A justificativa por trás da retirada foi encerrar a guerra mais longa dos Estados Unidos e redirecionar os recursos para outros desafios de segurança nacional.
No entanto, a retirada foi caracterizada por um colapso rápido e inesperado das Forças Nacionais de Defesa e Segurança do Afeganistão (ANDSF) e do governo afegão reconhecido internacionalmente. O Talibã lançou uma ofensiva rápida, tomando as capitais das províncias e, por fim, entrando em Cabul em 15 de agosto de 2021, com pouca resistência. Essa rápida tomada de controle levou a cenas caóticas no aeroporto de Cabul, quando dezenas de milhares de civis e militares foram evacuados.
As consequências da retirada foram profundas e de longo alcance. O Talibã, que agora governa como o Emirado Islâmico do Afeganistão, reimpôs uma interpretação rigorosa da lei Sharia, desmantelando sistematicamente as conquistas de direitos humanos obtidas nas duas décadas anteriores. Mulheres e meninas foram particularmente afetadas, enfrentando proibições de educação secundária e superior, restrições de emprego, liberdade de movimento e vida pública. Um novo código penal, implementado no início de 2026, formaliza ainda mais a discriminação contra as mulheres, removendo a igualdade legal e limitando sua capacidade de buscar justiça para a violência.
Do ponto de vista econômico, o Afeganistão enfrentou uma grave recessão, exacerbada pela interrupção da assistência direta ao desenvolvimento internacional, que anteriormente representava 75% dos gastos públicos. Embora o Banco Mundial tenha relatado um crescimento modesto do PIB de 2,7% em 2023 e 1,9% em 2024, isso fez pouco para aliviar a pobreza generalizada, que afetou 85% da população em 2024. Milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda, com projeção de 17,4 milhões de pessoas com insegurança alimentar aguda em 2026.
Em 1º de março de 2026, o Afeganistão continua em uma profunda crise humanitária, com um número estimado de 21,9 milhões de pessoas (45% da população) que precisam de assistência. O financiamento da ajuda sofreu cortes significativos, forçando os parceiros humanitários a priorizar intervenções que salvam vidas com menos recursos. As preocupações com a segurança persistem, com o Estado Islâmico da Província de Khorasan (ISIS-K) permanecendo como uma ameaça significativa, realizando ataques contra civis e se envolvendo em confrontos com o Talibã. Além disso, as tensões com o vizinho Paquistão aumentaram drasticamente no final de fevereiro de 2026, levando a ataques aéreos transfronteiriços e confrontos que resultaram em dezenas de vítimas, inclusive civis, aumentando os temores de uma "guerra aberta" entre as duas nações.
What If...?
Explore histórias alternativas. E se Afeganistão Retirada dos EUA em 2021 tivesse tomado decisões diferentes?