O que aconteceu com BlackBerry Limited (anteriormente Research In Motion)?
A BlackBerry já foi a fabricante dominante de smartphones, controlando quase 20% do mercado global em 2009. A empresa não conseguiu se adaptar à revolução da tela sensível ao toque liderada pelo iPhone da Apple e pelo Android do Google, perdendo sua posição no mercado e fazendo a transição para software empresarial e serviços de segurança.
Resposta rápida
A BlackBerry deixou de dominar os smartphones devido à sua incapacidade de competir com o iPhone da Apple e os dispositivos Android depois de 2007. A empresa foi lenta demais para adotar as telas sensíveis ao toque e os ecossistemas de aplicativos, perdendo rapidamente clientes corporativos e consumidores. Hoje, a BlackBerry se dedicou à segurança cibernética e ao software automotivo, encerrando oficialmente a produção de smartphones em 2022. Embora não seja mais uma marca de consumo, a empresa sobrevive como fornecedora de software corporativo com foco em soluções de segurança.
📊Fatos-chave
📅Cronologia completa14 eventos
Fundação da Research In Motion
Mike Lazaridis e Douglas Fregin fundam a RIM em Waterloo, Ontário. A empresa se concentra inicialmente na tecnologia sem fio e na compactação de dados.
Lançamento do primeiro dispositivo BlackBerry
A RIM lança o BlackBerry 850, um pager bidirecional que pode enviar e receber e-mails. O dispositivo estabelece o BlackBerry como líder em comunicação móvel por e-mail.
Integração com o telefone BlackBerry
A RIM apresenta o BlackBerry 5810, que combina recursos de e-mail com chamadas de voz. Isso marca a entrada da BlackBerry no mercado de smartphones.
Apple lança o iPhone
Steve Jobs revela o iPhone, introduzindo uma interface revolucionária de tela sensível ao toque e um ecossistema de aplicativos. Esse evento inicia o declínio dos smartphones baseados em teclado, como o BlackBerry.
BlackBerry atinge o pico de US$ 147 em ações
A RIM atinge sua maior avaliação de ações, já que o BlackBerry domina o mercado corporativo. A empresa parece imparável, apesar da concorrência emergente do iPhone.
Falha no lançamento do BlackBerry Storm
O primeiro telefone com tela sensível ao toque da RIM, o Storm, é lançado com problemas significativos de software e experiência de usuário ruim. O concorrente fracassado do iPhone prejudica a reputação da BlackBerry.
Interrupção global do BlackBerry
Uma enorme interrupção de serviço de três dias afeta milhões de usuários do BlackBerry em todo o mundo. O incidente prejudica gravemente a confiança dos clientes e acelera a deserção de usuários para os concorrentes.
Co-fundadores deixam o cargo
Mike Lazaridis e Jim Balsillie renunciam à diretoria e aos cargos executivos da RIM. Thorsten Heins torna-se CEO enquanto a empresa luta contra o declínio de sua participação no mercado.
Mudança de nome da empresa para BlackBerry
A RIM muda oficialmente seu nome para BlackBerry Limited e lança o sistema operacional BlackBerry 10. Apesar das críticas positivas, a nova plataforma não consegue recuperar a participação no mercado.
John Chen se torna CEO
John Chen, ex-CEO da Sybase, assume o controle da BlackBerry, iniciando uma mudança estratégica de dispositivos de consumo para software e serviços empresariais.
Fim da produção de hardware
A BlackBerry anuncia que deixará de projetar e fabricar seus próprios dispositivos, licenciando a marca para parceiros. Isso marca o fim da produção interna de smartphones.
Fim do acordo final de licenciamento
O contrato de licenciamento da BlackBerry com a TCL expira, encerrando efetivamente a produção de novos smartphones BlackBerry. A OnwardMobility anuncia planos para um BlackBerry 5G, mas depois cancela.
Fim do suporte a dispositivos legados
A BlackBerry descontinua oficialmente o suporte ao sistema operacional BlackBerry 7.1, ao BlackBerry 10 e aos dispositivos PlayBook. Os dispositivos antigos perdem os recursos de e-mail, texto e chamadas.
Foco em segurança cibernética e IoT
A BlackBerry continua operando como uma empresa de software empresarial, com foco em soluções de segurança cibernética, sistemas automotivos QNX e plataformas de IoT, com receitas anuais em torno de US$ 700 milhões.
Seguir esta história
Receba um email quando esta linha do tempo for atualizada.
🔍Análise aprofundada
O declínio do BlackBerry representa uma das quedas mais dramáticas da tecnologia. Em seu auge, em 2009, a Research In Motion (RIM) controlava quase 20% do mercado global de smartphones e estava avaliada em mais de US$ 70 bilhões (Fonte: IDC, 2009). Os dispositivos BlackBerry da empresa eram sinônimo de e-mail móvel e dominavam a América corporativa, ganhando o apelido de "CrackBerry" por sua natureza viciante entre os profissionais de negócios.
O lançamento do iPhone em 2007 marcou o início da queda do BlackBerry, embora o impacto não tenha sido imediatamente aparente. A interface de tela sensível ao toque e o ecossistema de aplicativos da Apple representaram uma mudança fundamental que a liderança da BlackBerry inicialmente descartou. O co-CEO Mike Lazaridis disse que o iPhone não era uma ameaça porque não tinha um teclado físico (Fonte: Fortune, 2015). Esse erro de cálculo se mostrou catastrófico, pois os consumidores adotaram as telas sensíveis ao toque e as crescentes lojas de aplicativos.
As tentativas da BlackBerry de competir chegaram tarde demais e foram mal executadas. O BlackBerry Storm (2008), seu primeiro dispositivo com tela sensível ao toque, foi afetado por problemas de software e pela má experiência do usuário (Fonte: Engadget, 2008). A participação de mercado da empresa despencou de 20% em 2009 para apenas 0,6% em 2014 (Fonte: Gartner, 2014). A turbulência na administração, incluindo a saída dos cofundadores Lazaridis e Jim Balsillie em 2012, desestabilizou ainda mais a empresa durante esse período crítico.
Sob o comando do CEO John Chen, que ingressou na empresa em 2013, a BlackBerry se afastou dos dispositivos de consumo e se voltou para o software empresarial e a segurança cibernética. O sistema operacional QNX da empresa ganhou nova vida em aplicativos automotivos, alimentando sistemas de infoentretenimento para as principais montadoras (Fonte: Relatório Anual da BlackBerry, 2021). Em janeiro de 2022, a BlackBerry encerrou oficialmente o suporte para seus dispositivos clássicos, marcando o fim definitivo da era dos smartphones (Fonte: BlackBerry Press Release, 2022). Hoje, a empresa gera receita principalmente por meio de soluções de segurança cibernética, serviços de IoT e software automotivo, embora com uma fração de seu tamanho e influência anteriores.
What If...?
Explore histórias alternativas. E se BlackBerry Limited (anteriormente Research In Motion) tivesse tomado decisões diferentes?