O que aconteceu com Julian Paul Assange?
Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, ganhou notoriedade internacional por publicar documentos militares e diplomáticos confidenciais dos EUA. Após anos de batalhas legais, incluindo a busca de asilo na embaixada equatoriana em Londres e a passagem de mais de cinco anos em uma prisão britânica de alta segurança, ele foi libertado em junho de 2024 após um acordo com promotores americanos. Ele se declarou culpado de uma acusação nos termos da Lei de Espionagem e voltou para sua terra natal, a Austrália, encerrando uma longa saga jurídica.
Resposta rápida
Julian Assange foi libertado da prisão em 24 de junho de 2024, após chegar a um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Ele se declarou culpado de uma única acusação de conspirar para obter e divulgar documentos confidenciais de defesa nacional dos EUA de acordo com a Lei de Espionagem em um tribunal em Saipan, Ilhas Marianas do Norte. Condenado a uma pena já cumprida, Assange partiu imediatamente para a Austrália, onde agora está vivendo com sua família e se adaptando à vida após mais de uma década de confinamento e desafios legais.
📊Fatos-chave
📅Cronologia completa15 eventos
Fundação do WikiLeaks
Julian Assange funda o WikiLeaks, uma organização internacional sem fins lucrativos que publica documentos de fontes anônimas que, de outra forma, não estariam disponíveis.
Vídeo de 'Collateral Murder' lançado
O WikiLeaks divulga um vídeo militar secreto dos EUA que mostra um ataque de helicóptero Apache em Bagdá, em 2007, que matou vários civis, incluindo dois jornalistas da Reuters.
Publicado o diário da guerra do Afeganistão
O WikiLeaks publica mais de 91.000 documentos militares confidenciais dos EUA relacionados à guerra no Afeganistão.
Publicação dos registros da Guerra do Iraque
O WikiLeaks divulga quase 400.000 relatórios militares confidenciais dos EUA sobre a Guerra do Iraque, detalhando as mortes de civis e supostos abusos.
Cabos diplomáticos dos EUA divulgados; começa a investigação sueca
O WikiLeaks começa a publicar 250.000 telegramas diplomáticos confidenciais dos EUA. Separadamente, as autoridades suecas emitem um mandado de prisão para Assange por alegações de crimes sexuais.
Busca asilo na embaixada do Equador
Julian Assange entra na Embaixada do Equador em Londres, buscando asilo político para evitar a extradição para a Suécia e a possível extradição para os EUA.
Asilo revogado, preso pela polícia do Reino Unido
O Equador revoga o asilo de Assange, e ele é preso pela Polícia Metropolitana de Londres por violar as condições de fiança. Os EUA divulgam uma acusação de conspiração para cometer invasão de computador.
EUA acrescentam acusações de Lei de Espionagem
O Departamento de Justiça dos EUA acrescenta 17 novas acusações contra Assange de acordo com a Lei de Espionagem, elevando o total para 18 acusações federais, com pena máxima de 175 anos.
O Ministro do Interior do Reino Unido aprova a extradição
A então ministra do Interior do Reino Unido, Priti Patel, aprova a extradição de Assange para os Estados Unidos, decisão da qual Assange promete recorrer.
A Suprema Corte do Reino Unido concede uma suspensão temporária
A Suprema Corte do Reino Unido decide que Assange não pode ser extraditado para os EUA, a menos que as autoridades americanas garantam que ele não será condenado à pena de morte e que terá a proteção da Primeira Emenda.
Tribunal Superior do Reino Unido concede recurso legal
A Suprema Corte do Reino Unido concede a Assange permissão para um recurso legal por motivos relacionados aos direitos de liberdade de expressão e ao possível prejuízo no julgamento devido à sua nacionalidade.
Libertado da prisão de Belmarsh
Julian Assange é liberado da prisão de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, depois de passar 1901 dias lá, após uma audiência de fiança.
Acordo judicial e retorno à Austrália
Assange se declara culpado de uma acusação de conspirar para obter e divulgar documentos confidenciais de defesa nacional dos EUA em um tribunal federal dos EUA em Saipan, Ilhas Marianas do Norte. Ele é condenado a cumprir pena e voa imediatamente para a Austrália.
Primeira aparição pública após a liberação
Assange faz sua primeira aparição pública desde sua libertação, dirigindo-se à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, declarando que escolheu "a liberdade em vez de uma justiça irrealizável".
Análise do legado publicada
É publicada uma análise que reflete sobre o legado de Julian Assange, a instrumentalização da Lei de Espionagem e as implicações para a liberdade de imprensa, quase 18 meses após sua libertação.
Seguir esta história
Receba um email quando esta linha do tempo for atualizada.
🔍Análise aprofundada
Julian Assange, editor australiano, ganhou destaque mundial como fundador do WikiLeaks em 2006. A organização tornou-se uma força significativa em 2010, quando publicou uma série de vazamentos sem precedentes de Chelsea Manning, uma analista de inteligência do Exército dos EUA. Esses vazamentos incluíam o vídeo "Collateral Murder" (Assassinato Colateral), o Diário da Guerra do Afeganistão, os Registros da Guerra do Iraque e uma vasta coleção de cabos diplomáticos dos EUA, expondo informações confidenciais sobre as operações militares dos EUA e a diplomacia internacional.
A publicação desses documentos gerou repercussões imediatas e graves. Em novembro de 2010, as autoridades suecas tentaram interrogar Assange sobre alegações de crimes sexuais, que ele negou. Temendo ser extraditado para a Suécia e, posteriormente, para os Estados Unidos, Assange buscou asilo político na Embaixada do Equador em Londres em junho de 2012, onde permaneceu por quase sete anos. Durante esse período, o WikiLeaks continuou a operar, publicando principalmente os documentos "Vault 7" em março de 2017, que detalhavam as ferramentas de hacking da CIA e as capacidades de guerra cibernética. Isso levou o então diretor da CIA, Mike Pompeo, a classificar o WikiLeaks como um "serviço de inteligência hostil não estatal", intensificando os esforços dos EUA contra Assange.
Um ponto de virada importante ocorreu em 11 de abril de 2019, quando o Equador revogou o asilo de Assange, permitindo que a polícia britânica o prendesse por violar suas condições de fiança. Posteriormente, ele foi condenado a 50 semanas de prisão. Em seguida, o governo dos EUA divulgou uma acusação que o acusava de conspiração para cometer invasão de computadores. Em maio de 2019, os EUA acrescentaram 17 acusações sob a Lei de Espionagem, elevando o total para 18 acusações federais, com uma possível sentença de até 175 anos. Os críticos, incluindo organizações de liberdade de imprensa, argumentaram que essas acusações representavam uma ameaça sem precedentes ao jornalismo investigativo em todo o mundo.
Assange foi mantido na prisão de alta segurança de Belmarsh, em Londres, desde abril de 2019, lutando contra a extradição para os EUA. Sua saúde tornou-se uma preocupação significativa, com relatos de deterioração física e psicológica devido ao isolamento prolongado. A batalha pela extradição foi marcada por inúmeras apelações e decisões. Em março de 2024, a Suprema Corte do Reino Unido concedeu a Assange uma prorrogação temporária, exigindo garantias dos EUA de que ele não enfrentaria a pena de morte e teria direito às proteções da Primeira Emenda. Em maio de 2024, a Suprema Corte concedeu-lhe um recurso legal com base nos direitos de liberdade de expressão e no possível preconceito devido à sua nacionalidade.
A longa saga jurídica foi concluída em 25 de junho de 2024, quando Assange aceitou um acordo com os promotores dos EUA. Ele se declarou culpado de uma acusação de conspirar para obter e divulgar documentos confidenciais de defesa nacional dos EUA em um tribunal federal em Saipan, nas Ilhas Marianas do Norte. Em troca, ele foi condenado a 62 meses, equivalente ao tempo que já havia cumprido no Reino Unido. Após a audiência, Assange foi imediatamente liberado e voou para a Austrália, chegando em 26 de junho de 2024. Em 1º de março de 2026, Assange estava na Austrália, adaptando-se à vida com sua família após mais de uma década de confinamento. Seu caso continua a ser um ponto focal em discussões sobre liberdade de imprensa, segurança nacional e a aplicação da Lei de Espionagem a editores.
What If...?
Explore histórias alternativas. E se Julian Paul Assange tivesse tomado decisões diferentes?