O que aconteceu com Lehman Brothers Holdings Inc.?
O Lehman Brothers era uma empresa global de serviços financeiros que entrou em colapso em setembro de 2008, declarando a maior falência da história dos EUA na época. A falência do banco de investimentos, causada pela exposição maciça a hipotecas subprime e alavancagem excessiva, desencadeou uma crise financeira mundial.
Resposta rápida
O Lehman Brothers entrou em colapso em 15 de setembro de 2008, declarando falência com uma dívida de US$ 613 bilhões, após ter se alavancado demais em hipotecas subprime. A falência do banco de investimentos de 158 anos de idade desencadeou a crise financeira global e levou a um grande socorro governamental a outras instituições financeiras. Seus ativos foram vendidos a vários compradores, com o Barclays adquirindo as operações norte-americanas e o Nomura comprando as divisões asiáticas e europeias.
📊Fatos-chave
📅Cronologia completa15 eventos
Fundação do Lehman Brothers
Henry Lehman estabelece a H. Lehman como uma loja de artigos gerais em Montgomery, Alabama. Mais tarde, os irmãos Emanuel e Mayer se unem para formar a Lehman Brothers.
Mudança para Nova York
O Lehman Brothers transfere sua sede para Nova York e começa a se concentrar em serviços financeiros e comércio de commodities.
Aquisição da American Express
A American Express adquire a Lehman Brothers por US$ 360 milhões, fundindo-a com a Shearson para criar a Shearson Lehman.
Independência reconquistada
O Lehman Brothers se separa da American Express como um banco de investimentos independente após uma aquisição pela administração.
Expansão do subprime
O Lehman se expande agressivamente para empréstimos hipotecários subprime e securitização, acumulando uma enorme exposição aos mercados imobiliários.
Início da crise do subprime
Os fundos de hedge do Bear Stearns entram em colapso, marcando o início da crise das hipotecas subprime. Os ativos relacionados a hipotecas do Lehman começam a se desvalorizar.
Colapso do Bear Stearns
O JPMorgan Chase adquire o Bear Stearns em um acordo apoiado pelo governo, levantando preocupações sobre outros bancos de investimento, incluindo o Lehman.
Grande prejuízo trimestral
O Lehman divulga um prejuízo de US$ 2,8 bilhões no segundo trimestre e anuncia planos para levantar US$ 6 bilhões em capital para reforçar seu balanço patrimonial.
Relatório final de lucros
O Lehman informa um prejuízo de US$ 3,9 bilhões no terceiro trimestre e anuncia a possível venda da divisão de gestão de investimentos e de ativos imobiliários comerciais.
Tentativas de resgate no fim de semana
Funcionários do Federal Reserve e do Tesouro convocam reuniões de emergência com os CEOs de Wall Street para encontrar uma solução do setor privado para evitar o colapso do Lehman.
Negociações de resgate fracassam
Os potenciais compradores Bank of America e Barclays desistem das negociações de aquisição depois que o governo se recusa a fornecer garantias financeiras.
Pedido de falência
O Lehman Brothers entra com pedido de proteção contra falência, Capítulo 11, com US$ 613 bilhões em dívidas, tornando-se a maior falência da história dos EUA na época.
Aquisição do Barclays
O Barclays compra as operações de banco de investimento e mercados de capital norte-americanos do Lehman por US$ 1,75 bilhão.
Aquisição do Nomura
A Nomura Holdings adquire as operações asiáticas do Lehman por US$ 225 milhões e, posteriormente, compra as operações europeias por US$ 2 bilhões.
Liquidação em andamento
A Lehman Brothers Holdings Inc. continua como uma empresa de fachada gerenciando a liquidação de ativos, tendo recuperado aproximadamente 46% para os credores ao longo de 15 anos.
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🔍Análise aprofundada
## A ascensão e a queda catastrófica do Lehman Brothers
O colapso do Lehman Brothers representa um dos mais dramáticos fracassos corporativos da história moderna, servindo como catalisador da crise financeira global de 2008. Fundado em 1850 como uma empresa de comércio de commodities, o Lehman evoluiu e se tornou o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos em 2008, com operações que abrangiam banco de investimentos, vendas de ações e renda fixa, pesquisa, comércio, gestão de investimentos e banco privado (Fonte: Federal Reserve Bank of St. Louis, 2009).
A queda da empresa resultou de sua expansão agressiva em títulos lastreados em hipotecas e imóveis comerciais durante o boom imobiliário de meados dos anos 2000. Em 2007, o Lehman havia acumulado aproximadamente US$ 60 bilhões em ativos relacionados a hipotecas, o que representava quatro vezes o patrimônio líquido da empresa. Quando a crise das hipotecas subprime começou a se desenrolar em 2007, essas posições se tornaram cada vez mais tóxicas, levando a enormes baixas contábeis e à erosão da confiança dos investidores (Fonte: Financial Crisis Inquiry Commission, 2011).
Tentativas desesperadas de salvar a empresa incluíram a busca de capital de fundos soberanos, possíveis fusões com o Bank of America e o Barclays e a cisão de ativos imobiliários comerciais em uma entidade separada chamada SpinCo. Entretanto, essas tentativas fracassaram devido à deterioração da situação financeira da empresa e à falta de disposição dos possíveis compradores em assumir os enormes passivos do Lehman sem garantias governamentais, que o Secretário do Tesouro Henry Paulson se recusou a fornecer (Fonte: The Wall Street Journal, 2009).
As consequências da falência do Lehman foram rápidas e graves. Os mercados de crédito congelaram globalmente, pois as preocupações com o risco de contraparte se espalharam por todo o sistema financeiro. O Dow Jones Industrial Average caiu 504 pontos em 15 de setembro de 2008 e continuou caindo por meses. O colapso forçou os governos de todo o mundo a implementar programas de resgate sem precedentes, sendo que somente os EUA comprometeram mais de US$ 700 bilhões por meio do Troubled Asset Relief Program (TARP) para evitar um novo colapso do sistema financeiro (Fonte: Congressional Budget Office, 2010).
## Legado e lições aprendidas
O fracasso do Lehman levou a reformas regulatórias significativas, incluindo a Lei Dodd-Frank nos Estados Unidos e as normas bancárias internacionais da Basileia III. O nome da empresa tornou-se sinônimo de riscos excessivos e dos perigos das instituições "grandes demais para falir". Hoje, a Lehman Brothers Holdings Inc. existe apenas como uma empresa de fachada que gerencia o processo de liquidação, que recuperou aproximadamente 46 centavos de dólar para os credores em 2023 (Fonte: Lehman Brothers Holdings Inc., 2023).
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